"A diabolização da empatia"

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"A diabolização da empatia"
Quarta-feira, 14 de Maio de 2025 in Líder Online

Artigo de opinião por Arménio Rego, docente da Católica Porto Business School e investigador no LEAD.Lab

A nossa civilização está a assistir a uma empatia suicidária. A fraqueza fundamental da civilização ocidental é a empatia”. Quem o afirmou foi Elon Musk – que acrescentou, na mesma entrevista: “Acho que devemos preocupar-nos com as outras pessoas, mas é preciso ter empatia pela civilização como um todo e não cometer um suicídio civilizacional.” Walter Isaacson, que escreveu uma biografia sobre o magnata, resumiu-lhe o pensamento: “Ele gosta dessa noção de ajudar a humanidade. (…) De facto, ele tem mais empatia pela humanidade em geral do que, muitas vezes, pelas 20 pessoas em seu redor”. Kimbal Musk, irmão do disruptivo líder, afirmou: Elon “sabe que eu tenho um gene empático, contrariamente a ele, e que isso me tem prejudicado nos negócios”.

Esta forma de encarar a empatia tem vindo a ganhar tração entre cristãos evangélicos nos EUA. Alguns chegam ao ponto de designar a empatia como um pecado e classificá-la como tóxica. Diabolizam a empatia para defender, com pretensos argumentos morais, práticas desumanas de deportação e discursos de ódio. Usam o nome de Deus para pregar a crueldade e higienizá-la com argumentos morais e religiosos. A história mostra-nos que muitos processos destrutivos começam com opções ideológicas moralmente questionáveis que, com o decurso do tempo, vão deslizando para soluções políticas ou de gestão que acabam em desvario desumano.

Convém, pois, relembrar George Santayana, o influente filósofo hispano-americano: “Aqueles que não conseguem recordar o passado estão condenados a repeti-lo”. Discernimento crítico é necessário para que não se comece a normalizar a estigmatização da empatia, por mais reputados e abastados que sejam os defensores dessa desacreditação. Moralizar a insensibilidade como pretexto para alegadamente salvar a “civilização” é uma forma de crueldade.

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