"How To With John Wilson. O homem da câmara de filmar"

Artes
"How To With John Wilson. O homem da câmara de filmar"
Quinta-feira, 21 de Setembro de 2023 in Público online

Artigo de opinião de Daniel Ribas, docente da Escola das Artes.

Em How To With John Wilson, o cineasta revela um profundo amor por Nova Iorque e pelos seus concidadãos. E faz uma crítica aos nossos modos de vida.

Num dos últimos episódios de How To With John Wilson (2020-2023), o próprio declara: “O que faço é observar pessoas”. Na grande tradição americana do documentário – pense-se em nomes como Robert J. Flaherty, Frederick Wiseman, Albert e David Maysles –, mas sobretudo de uma observação quase diarística de Nova Iorque – Jonas Mekas ou Jem Cohen podem ser aqui citados –, John Wilson filma com um profundo amor pela cidade e pelos seus concidadãos, mesmo que isso implique ter de aceitar a sua esquizofrenia latente, entre a euforia e a depressão.

How To With John Wilson chegou, no início de Setembro, ao fim da sua terceira e última temporada. Ao longo de 18 episódios (seis por temporada), desde 2020, John Wilson filmou para a HBO 18 “tutoriais” sobre como viver em Nova Iorque, mas cujas linhas de acção o levavam para os mais recônditos lugares da América profunda. Assente numa voz off do próprio, ligando-se intimamente à sua própria vida, Wilson deixa-se levar pelo inesperado, abraçando uma linha narrativa imprevisível, deixando de lado a sua premissa inicial para comentar o estado das coisas. Nesta última temporada, os assuntos “dissecados” são aspectos tão improváveis como os quartos de banho públicos, “como limpar os ouvidos” ou “fazer exercício físico”.

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